08/06/2009

Personagens despercepidos a olho nu: Nathanael, o assassino

O Assassino

Nathanael, O Assassino

Sentado no fundo do onibus passava despercebido.
Óculos Ray ban, vasta pelagem alvi-negra cobria-lhe a face vivida e testemunha de seus pecados.
Um dia de Sol e mais de 20 graus, não eram motivo para sacar uma das 4 blusas que trajava. Nenhum movimento, olhar compenetrado, ele estava em outro lugar. Talvez na Sicília, relembrando sua infancia de brincadeiras perigosas: Mata e esconde, Pega Sufoca, Sacrifício da mula, Futebol Americano usando um gato como bola, dentre outras atividades cobertas com um humor negro típico de sua vizinhança mafiosa.
Rejeitado por sua família após deslizes no lado sentimental o que o fizera perdoar quem não devia, foi escurraçado da ilhota e passou a peregrinar pelo mundo, cometendo alguns delitos e pequenas carnificinas.
O tempo passou mas não lhe levou algumas particularidades como sempre levar a pistola carregada sob seu colete de couro genuíno ja dilacerado pelo tempo e balas de raspão.

Estático rumou ao norte sem esboçar ansiedade ou nervosismo. Meu momento de descer havia chegado e surpreso fiquei quando ao caminhar para a porta, num último relance, notar-lhe sorrindo de canto de boca, como quem dissesse: “Saí bem na foto.”

07/01/2009

2009 chegou e as mudanças, também?

Ano novo, vida nova?

Algumas coisas nunca mudam. Outras, a gente vai empurrando até o limite. 

Tibério era um cara que não tinha problemas na vida. Tudo com o que ele tinha que se preocupar era que roupa escolher no armário para vestir ao sair na rua… não, isso quem decidia era Josefa, sua adorável esposa. Feliz ou infelizmente, Tibério sempre se deixava levar pelas coisas ditas mais fáceis. Tinha um casamento instável, tinha um bom emprego na empresa do pai de sua adorável esposa, tinha filhos sendo educados numa conceituada escola, no sul da Suiça. Sua vida se baseava numa rotina específica e mudava bem pouco, apenas quando problemas externos como o trânsito ou um alagamento em sua cidade o impediam de cumprir sua agenda. Sua esposa era um pouco rígida com isso e cuidava pessoalmente da agenda de nosso amigo. Tibério era um cara conformado com sua situação. Ou ao menos, assim parecia ser.

O ano novo estava se aproximando e algo tomava de assalto a atenção do nosso amigo. Ele já não se sentia mais feliz com sua vida. Seu emprego, ora algo totalmente cabível em sua vida, agora já não lhe fazia mais feliz. Sua rotina diária não incluia coisas simples, como um happy hour com os amigos de infância, que insistiam que deveriam se encontrar ao menos 1 vez por mês para uma vodka com petiscos. Sentia saudades de seus filhos e os queria por perto para vê-los crescer e todas as transformações que acontecessem durante as fases de aprendizado. Sua esposa, antes adorável, havia sido escravizada pela moda e passava horas intermináveis em compras de bolsas e sapatos que jamais usaria duas vezes. Até os seus cachorros, legítimos perdigueiros, já não corriam pelos campos como outrora. Alguma coisa precisava mudar drasticamente ou Tibério teria, ao final de sua vida, apenas lembranças de “Como poderia ter sido?” em sua mente. Tibério precisava mudar.

2002, um ano que demorou a chegar, teve uma bela recepção. Na mansão de Tibério (que na verdade havia sido um presente de casamento do tio de Josefa) estava em festa. Uma festa com vinhos finos, caviar e o mordomo, que insistia em servir seus patês de fígado de ganso. Foi quando Tibério surtou, não queria mais nada daquilo. Às  02 horas do primeiro dia do ano, Tibério pegou seu inseparável aquário com Tina e Fey, seus peixinhos da sorte, e partiu. Ele ainda pediu a Josefa as chaves do carro da família, um luxuoso Bentley laranja, cor símbolo de uma das lojas de seu sogro (representante da Lamborguini no Brasil), e partiu sem despedida. Era hora de ir atrás de seus sonhos e planos traçados naquele longo ano passado.

No ano de 2008, encontrei Tibério por acaso na praça da Sé. Ele estava correndo rumo ao viaduto do chá, e eu o acompanhei sem pestanejar. Tibério tinha uma nova vida, havia se casado novamente e tinha uma pequena filha de 2 anos de idade. Cuidava dela pessoalmente, em seus raros momentos de folga. Sua esposa nova, Justina, era um tanto aversa a moda e gostava mesmo era de frequentar a 25 de Março em busca de grandes descontos. Não tinham muitas coisas na vida, mas tinham um chevete 78 que não deixava na mão. Tibério agora era um grande mercador, vendendo produtos de origem duvidosa nos arredores do centro da cidade. Tinha uma vida corrida, mas ao menos morava perto de seus amigos de infância e semanalmente faziam uma partida de dominó para celebrar a amizade. E ainda uma vez por mês faziam um torneio de gamão, com direito a churrasco e bastante vodka.

No natal de 2008, encontrei Tibério novamente. Ao questionar sobre o que faria no ano novo daquele ano, ouvi que ele não tinha planos definidos ainda e que provavelmente ficaria em Sampa mesmo para evitar gastos. Então, o convidei gentilmente para que passasse a virada do ano comigo, em minha casa na praia. Os únicos custos que ele teria seria o da locomoção, pois eu já tinha tudo preparado. E foi com surpresa que ouvi a resposta – “Olha, eu vou perguntar pra Justina, é ela quem cuida de tudo o que faço!” – e cheguei a uma conclusão estarrecedora: Algumas coisas nunca mudam.

Rafael R

30/12/2008

2009, o ano da virada!!

Você cola na parede em frente à privada. Ao menos uma vez por dia você se deparará com o que precisa saber. Não esquecer. Não esconder. Encarar. De frente, mesmo que for que sentado em uma privada. 
Esse ano eu vou melhorar. 
Esse ano eu vou tentar amar mais aos outros e menos a mim mesmo. 
Vou tentar aparar as pontas das grades que cercam o meu jardim. Pra não machucar mais ninguém. 
Nesse ano, não vou culpar o destino. Afinal ele me dá as ferramentas que preciso, cruzar os braços se torna minha responsabilidade. 
A felicidade vendida em cápsulas não me faz mais efeito. 
Simplesmente porque eu estou olhando o mundo sem usar uma “smile” máscara, e vejo tanta dor. Vejo tantos sonhos se desfazendo, vejo tantas pinturas borradas, tantos valores esquecidos dentro de um baú, num canto empoeirado de um coração dopado, anestesiado e cansado de bater em vão. 

Esse ano bem que podia ser o ano em que eu fiz mais do que falei. 
Esse ano vai passar mais rapido que o passado e será mais vagaroso que o próximo. E é assim todo ano. 
E todo ano, a gente pensa em ter uma vida melhor, em ter alguém que ame por perto. Em amar. Em correr numa rua vazia, 
puxando um cãozinho pela coleira, num domingo de manhã… e gritar: “Bom dia pra todo mundo!!!” E olhar pro céu, que não 
deixa de ser mais bonito se for cinza, e agradecer por tudo e por nada. Sorrir por nada, sorrir por agir direito, sorrir por ter feito um dia melhor pra alguém, sorrir por ser feliz de verdade. 

Esse ano eu serei feliz de verdade. 
Vou arrebentar o cadeado do baú. Vou arrebentar a preguiça depressiva das coisas importantes. Aquela que te impede de fazer o que realmente é preciso. Tanta luta, energia e esforço direcionado ao egoísmo, que ilude. É como saltar bem alto numa cama elástica e cair. Cair, caindo, caiu. Fundo do poço tem mola, mas uma hora cansa, ficar saltando ali, na expectativa do milagre dos anjos, que te segurem pelas mãos e voem sobre a sua vida. E te deixem seguro numa nuvem, de onde você possa ver todas as escolhas erradas que você fez, e refez, e mesmo assim não aprendeu. E aí então, aquela visão turva daquela casa que você cresceu, te carimba na testa, a verdade, de que você precisa mudar, e já é tarde, a noite vem chegando, e com a noite, vem a chuva, da nuvem que te sustenta, e então você cai. Como uma gota de chuva, que somos, e, caindo você vê a verdade. 

Você usa uma fita adesiva resistente, se nao for suficiente, coloque em uma moldura, e pendure como um quadro em frente à privada. 
Pra servir até pros dias em que você esteja cego, e não consiga lembrar que um dia quis fazer o ano ser melhor, a vida ser feliz e os sonhos serem reais. Pra servir pra vida toda, o ano pouco importa.

2009virada2

Mesmo com todas as cagadas.

Dhemes Andersen

29/12/2008

Primeiro post!

Ano novo, vida nova… blog novo!

Numa rápida negociata com meu irmão (*de coração) Dhe, resolvemos que seria de bom tom um projeto novo. Um blog onde pudéssemos misturar algumas palavras com uma imagem ilustrativa, simplório por vezes, mas que fosse rigorosamente seguido a diretriz de um post novo a cada 2 dias, para cada um de nós. Essa é a regra, é o início, é o que queremos com isso.

 

Como sempre fui meio do contra, vou começar do jeito errado. Um post curto, sem imagem ilustrando, apenas para comunicar a vocês sobre essa nova empreitada. Se tudo der certo, quinta-feira eu estarei postando algo novo aqui. Em breve, o Dhe dará as caras e falará o que tiver vontade, pois o próximo post é dele.

 

Assim combinamos, assim ficamos. Até!