Você cola na parede em frente à privada. Ao menos uma vez por dia você se deparará com o que precisa saber. Não esquecer. Não esconder. Encarar. De frente, mesmo que for que sentado em uma privada.
Esse ano eu vou melhorar.
Esse ano eu vou tentar amar mais aos outros e menos a mim mesmo.
Vou tentar aparar as pontas das grades que cercam o meu jardim. Pra não machucar mais ninguém.
Nesse ano, não vou culpar o destino. Afinal ele me dá as ferramentas que preciso, cruzar os braços se torna minha responsabilidade.
A felicidade vendida em cápsulas não me faz mais efeito.
Simplesmente porque eu estou olhando o mundo sem usar uma “smile” máscara, e vejo tanta dor. Vejo tantos sonhos se desfazendo, vejo tantas pinturas borradas, tantos valores esquecidos dentro de um baú, num canto empoeirado de um coração dopado, anestesiado e cansado de bater em vão.
Esse ano bem que podia ser o ano em que eu fiz mais do que falei.
Esse ano vai passar mais rapido que o passado e será mais vagaroso que o próximo. E é assim todo ano.
E todo ano, a gente pensa em ter uma vida melhor, em ter alguém que ame por perto. Em amar. Em correr numa rua vazia,
puxando um cãozinho pela coleira, num domingo de manhã… e gritar: “Bom dia pra todo mundo!!!” E olhar pro céu, que não
deixa de ser mais bonito se for cinza, e agradecer por tudo e por nada. Sorrir por nada, sorrir por agir direito, sorrir por ter feito um dia melhor pra alguém, sorrir por ser feliz de verdade.
Esse ano eu serei feliz de verdade.
Vou arrebentar o cadeado do baú. Vou arrebentar a preguiça depressiva das coisas importantes. Aquela que te impede de fazer o que realmente é preciso. Tanta luta, energia e esforço direcionado ao egoísmo, que ilude. É como saltar bem alto numa cama elástica e cair. Cair, caindo, caiu. Fundo do poço tem mola, mas uma hora cansa, ficar saltando ali, na expectativa do milagre dos anjos, que te segurem pelas mãos e voem sobre a sua vida. E te deixem seguro numa nuvem, de onde você possa ver todas as escolhas erradas que você fez, e refez, e mesmo assim não aprendeu. E aí então, aquela visão turva daquela casa que você cresceu, te carimba na testa, a verdade, de que você precisa mudar, e já é tarde, a noite vem chegando, e com a noite, vem a chuva, da nuvem que te sustenta, e então você cai. Como uma gota de chuva, que somos, e, caindo você vê a verdade.
Você usa uma fita adesiva resistente, se nao for suficiente, coloque em uma moldura, e pendure como um quadro em frente à privada.
Pra servir até pros dias em que você esteja cego, e não consiga lembrar que um dia quis fazer o ano ser melhor, a vida ser feliz e os sonhos serem reais. Pra servir pra vida toda, o ano pouco importa.

Mesmo com todas as cagadas.
Dhemes Andersen
1 Comentário
30/12/2008 às 13:39
Sem dúvidas, é o ano da virada. É a hora de por de lado toda aquela preguiça e estagnação, é hora de entender que pra algumas coisas acontecerem elas só dependem única e exclusivamente de você, e que se você quiser mesmo muito alguma coisa, corra atrás. É a hora de deixar o sedentarismo de lado e correr atrás dos sonhos deixados na gaveta. Mesmo que não aconteça nada, é preciso correr. Agora!